Sim. Eu cresci protegida pelas paredes do lar e do colégio, entretida com leituras românticas, ou não, e famosa por ser mais teimosa e briguenta que qualquer outra nessa família de mulheres enigmáticas. Frustrada? Não, não... Acho que tinha de ser assim.
Sou feita do mesmo material pétreo de meus antepassados e, como muitos deles, mantenho os pés fincados no chão embora parte de mim fuja em uma estranha atração pelo abismo dos sonhos.
Talvez por isso tenha tão estranhamente me apaixonado por uns tais JKenses; todos loucos, excêntricos e deliciosos!
A menina que fui, a jovem que sou, a mulher que serei; todas são água do mesmo manancial impetuoso que nem mesmo eu entendo e que me pertence como um segredo.
Se me faltavam subsídios para argumentar sobre meu gênio forte, agora não falta mais nada.
Acabo de ler na revista de domingo do jornal ODIA que brigar, discutir, 'quebrar o pau da barraca' de vez em quando, faria agente viver mais. Para defender essa tese, os pesquisadores usam a velha máxima de que guardar sentimentos ruins, ser impassível, deixar de dizer as coisas que nos incomodam, enfim, causa doenças terríveis.
O que seria de nós sem as inúmeras pesquisas que tentam explicar ou padronizar o comportamento humano? Eu sei que, muitas vezes, elas só confundem nossas cabeças; mas se os pesquisadores gastam horas e riiiiios de dinheiro para tirar essas conclusões, não custa nada ouvir o que eles têm a dizer e decidir o que vamos fazer a respeito.
Pelo que entendi do tal estudo, até nos relacionamentos(amorosos) a coisa funciona. Uma briga aqui, uma lavação de roupa suja ali, uns gritos e portas batendo acolá só servem à longevidade do casal. Então se até os pesquisadores, que passaram 17 anos – isso mesmo, senhores, 17 anos – avaliando 192 casais, dizem que ‘discutir a relação’ faz bem pra saúde do casal, quem sou eu pra discordar? Meu namorado que me aguarde. Não gente, calma! Eu não sou nenhuma descontrolada que sai brigando por qualquer coisa! Por exemplo: discutir um ponto do relacionamento e armar um barraco são coisas bem diferentes, será que os estudiosos botaram tudo no mesmo pacote? Eu, que sou chegada a longas conversas e fujo dos barracos como o diabo da cruz, precisava saber disso para decidir se revejo meus hábitos ou não.
Claro que o perigo de se divulgar essas informações é o uso indiscriminado que se pode fazer delas, e aí mora a irresponsabilidade dos pesquisadores, que saem contando essas coisas pro mundo inteiro sem que o mundo os tenha perguntado, e a minha também que divulga essa ‘budega’ num blog. Aí, isso cai nos ouvidos de gente passional e irracional e daqui a pouco vai ter mulher arrumando briga com o ficante pra ver se vira namoro.
Claro que eu, a princípio, prefiro viver em paz, mas confesso que não me importo nem um pouco de me meter em uma briguinha, não. A vida precisa de doses de adrenalina de vez em quando. E do jeito que ando ultimamente, acho que ninguém terá paciência o suficiente pra me aturar por muito tempo. Na verdade, eu que não consigo ficar presa a alguém por muito tempo, principalmente quando a coisa fica parada demais, enjôo muito rápido. Sou ariana, gosto de ação e menos ‘nhé, nhé, nhé’.
Se discutir e questionar trás longevidade, eu tô feita!
Ah, sim, pretendo viver uns 130 anos.